Mercados livres ibero-americanos avançam: Espanha e Portugal lideram, Brasil entra no jogo
No Encontro Anual do Mercado Livre de Energia (EAML), o painel Panorama dos Mercados Livres Ibero-Americanos mostrou como diferentes países evoluem na liberalização do setor elétrico e quais desafios ainda precisam ser superados. Sebastián Novoa, presidente da AICE, destacou que Espanha e Portugal lideram com taxas de penetração de 100% e 95%, enquanto Colômbia, Chile, Uruguai e Peru discutem ampliações. Criada em 2023, a AICE reúne associações de Brasil, Colômbia, México, Portugal, Chile e Espanha, além de novos integrantes como Equador e Uruguai, para fortalecer a livre negociação e ampliar liquidez.
Sebastián ressaltou que o Brasil agora integra o grupo de países com livre escolha do fornecedor, apresentando uma das maiores diferenças de preço entre mercado regulado e livre na região. “As experiências ibero-americanas oferecem referências valiosas para o modelo brasileiro, especialmente em governança de preços e segurança de mercado”, afirmou.
Marta Aguillar Méndez, da ACCE, trouxe a realidade da Colômbia, que alcançou 25% de penetração, mas ainda enfrenta barreiras técnicas e regulatórias, como a falta de medição inteligente unificada. Apenas usuários não regulados possuem smart metering obrigatório, enquanto residenciais dependem de comercializadores independentes. Marta acredita que inteligência artificial e ajustes regulatórios podem ampliar a liberalização a partir de 2026.
Em Portugal, João Nuno, da ACEMEL, explicou que, mesmo com mercado aberto desde 2007, 13% dos consumidores permanecem na tarifa regulada, gerando assimetrias competitivas. Em 2026, o governo destinará 236 milhões de euros para manter esse modelo, que funciona como “porto seguro” em momentos de volatilidade. Para João, o Brasil tem a chance de evitar longos períodos de transição observados na Europa.
A experiência espanhola foi apresentada por Teresa Company Juberó, da FactorLuz, que destacou a existência de mais de 300 comercializadoras e 70% do mercado residencial já migrado. Apesar da forte competição e presença de renováveis, Teresa alertou para o desafio de transformar a queda de preços no atacado em benefícios diretos ao consumidor, apontando flexibilidade e armazenamento como próximos passos.
Por fim, Andrea Lozano, da AMSCA, detalhou o cenário mexicano, com 54 comercializadoras e 1.700 usuários qualificados após a reforma de 2013. Apesar do potencial, o país enfrenta migrações lentas, que podem levar até 18 meses, devido a barreiras regulatórias e processos técnicos.
Com lições que vão da digitalização à governança de preços, o painel reforçou que a abertura do mercado é um processo contínuo e estratégico, e que o Brasil tem a oportunidade de acelerar sua evolução, conectando-se às melhores práticas globais.

























