Integração energética no Cone Sul: países defendem avanços para garantir segurança e competitividade
Painel do EAML 2025 revela desafios físicos, comerciais e regulatórios para ampliar intercâmbio de energia na América Latina
No Encontro Anual do Mercado Livre de Energia (EAML 2025), líderes do setor energético da Argentina, Paraguai, Uruguai e Brasil destacaram que a integração regional é estratégica para garantir segurança de abastecimento e reduzir custos, mas ainda enfrenta barreiras físicas, comerciais e regulatórias.
Juan Alberto Luchilo, da Cammesa (Argentina), afirmou que as condições de intercâmbio melhoraram nos últimos anos, mas ainda existem limitações estruturais. Ele explicou que o fluxo com o Brasil tem maior potencial, operando por meio de ofertas semanais e suporte emergencial, enquanto conexões com Chile e Bolívia permanecem restritas. “A integração depende de acordos bilaterais amplos e maior previsibilidade entre países”, destacou.
Do Paraguai, Fábio Lucantonio alertou que o país pode atingir o limite de geração entre 2029 e 2030 e defendeu a integração bidirecional com o Brasil como alternativa mais rápida e eficiente do que construir novas usinas. Hoje, a linha permite envio de energia ao Brasil, mas não o fluxo inverso — algo que deve mudar em 2029 com a conversão de frequência nos dois sentidos. “O custo de integração física é menor que o custo de novas usinas”, afirmou.
Andrés Osta, do Ministério da Indústria, Energia e Mineração do Uruguai, reforçou que o país depende das interconexões para garantir segurança em momentos críticos. Com demanda de 2.300 MW e interligações de 2.000 MW com a Argentina e 570 MW com o Brasil, o Uruguai poderia suprir todo seu consumo via vizinhos. Osta defendeu ajustes regulatórios para permitir importações mais baratas e sugeriu mecanismos de compensação para equilibrar impactos internos. “Precisamos evoluir para modelos supranacionais que garantam cumprimento de acordos”, disse.
Representando o Brasil, Cristiano Augusto Trein, do MME, destacou que a integração exige infraestrutura robusta e fortalecimento de acordos bilaterais. Ele lembrou que o Brasil já mantém contratos ativos com o Paraguai e defendeu visão de longo prazo para não comprometer oportunidades futuras. “Confiabilidade é o elemento central da integração”, afirmou.
O painel concluiu que, para avançar, a região precisa combinar investimentos em infraestrutura, ajustes regulatórios e maior coordenação política, criando um ambiente que permita trocas firmes e aproveite complementaridades energéticas. Com isso, a integração poderá evoluir de operações emergenciais para um modelo estruturado, garantindo segurança e competitividade para todos os países.

























