Digitalização, IA e Open Energy: varejo elétrico brasileiro entra em nova era no EAML 2025
Painel revela como tecnologia, integração de sistemas e medidores inteligentes vão redefinir a experiência do consumidor
No painel Varejo e Novas Tecnologias, especialistas apontaram que o avanço do varejo elétrico no Brasil depende de três pilares: digitalização completa dos processos, integração tecnológica e uso estratégico da inteligência artificial.
Tomás Baldaque, da EDP Brasil, destacou que a IA só gera valor quando os processos estão digitalizados e os sistemas integrados. A empresa já aplica modelos preditivos para falhas em rooftops solares, análise de tom de voz em atendimentos e algoritmos que ajustam margens comerciais conforme flutuações de preço. “Para a IA funcionar, antes precisamos garantir que todos os processos estejam digitalizados”, afirmou.
Luciano Benelli, da Paradigma, reforçou que a integração com as novas APIs da CCEE é decisiva para destravar o varejo. Ele apontou que as plataformas evoluíram para organizar toda a jornada do cliente e antecipou que o setor está próximo de adotar modelos de marketplace. A Paradigma também desenvolve IA reativa para automatizar consultas e ações, além de avatares virtuais para executar tarefas repetitivas.
Danilo Barbosa, da Way2, afirmou que o impacto da IA será transversal, com aplicações que vão desde análise de perfis tarifários até interpretação de faturas digitalizadas. Ele ressaltou que o avanço real depende do acesso direto aos dados do consumidor, previsto na minuta de Open Energy, com implementação a partir de 2027. “Com dados acessíveis via APIs, o setor deixa de digitalizar faturas e passa a criar valor sobre uma base estruturada”, disse.
O painel também trouxe visão internacional com Alex Cruickshank, da Oakley Greenwood, que destacou o papel da IA na integração de veículos elétricos e baterias, garantindo automação para responder a preços e condições da rede. Ele lembrou que o Brasil já discute a figura do Operador de Sistema de Distribuição (DSO), essencial para coordenar recursos energéticos distribuídos.
Por fim, Alexandre Vidal, da EY, afirmou que o Brasil está pronto para avançar com medidores inteligentes. Segundo ele, obstáculos históricos como custo e padronização foram superados, e a capacidade industrial permitiria substituir todos os medidores do país em até quatro anos. “Todos os aspectos técnicos e industriais estão prontos. Falta apenas consolidar o avanço regulatório”, afirmou.
Com IA, dados abertos e infraestrutura digital, o varejo elétrico brasileiro se prepara para uma transformação que promete mais eficiência, personalização e competitividade, conectando o consumidor às tendências globais.

























